fonte: site www.portalprominas.com.br
Esse texto se dedica a
esclarecer um pouco mais sobre o que são tecnologias assistivas, suas
diferentes aplicações, seu crescente uso na população com deficiência e, em
especial, sua importância no processo de inclusão social daquela parcela da
população em idade escolar, com fins a melhorar o acesso aos conhecimentos.
Para tanto, vamos analisar alguns números e conceitos sobre o tema para melhor
entender o que seria tecnologia assistiva e quais seus impactos mais recentes,
sobretudo, quando relacionada ao mundo digital.
Você já pensou como seria
viver sem ouvir, enxergar, falar ou se movimentar livremente? Milhares de
pessoas se encontram realmente nessa condição, inclusive, muitas delas, em
idade escolar. Se você consegue imaginar, por exemplo, viver sem a visão, a
depender da tecnologia que esteja usando nesse momento para ler este artigo,
talvez não seria possível acessá-lo se você realmente fosse cego. Isso que só
estamos falando de uma deficiência. Porém, é justamente a tecnologia que entra nessa
história para facilitar e melhorar a qualidade de vida dos deficientes físicos
e mentais proporcionando-lhes acesso às experiências que são comuns ao restante
das pessoas. É sobre essa tecnologia, sobretudo aquela aplicável aos
deficientes em idade escolar que falaremos neste texto.
Mais de 1 bilhão de
pessoas ao redor do mundo apresentam algum tipo de deficiência em variados níveis
de intensidade. Só aqui no Brasil esse número chega a quase 25% da população,
ou, a parir de dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), mais de 45 milhões de brasileiros declaram possuir algum tipo de
deficiência. Desses, cerca de mais e 2 milhões têm entre estão em período
escolar e encontram na sua deficiência uma limitação para estudar. Foi pensando
nessa grande parcela da população que setores da economia passaram a investir
na tecnologia assistiva. Mas o que é isso afinal?
Antes de mais nada, é
preciso realizarmos alguns esclarecimentos, em especial, com relação à
diferença entre “inclusão digital” e “tecnologia assistiva”. A primeira
refere-se ao processo de dar acesso ao mundo digital-tecnológico à diversas
pessoas, independentemente de suas condições sócio-econômicas e físico-mentais.
Nesse caso, um indivíduo numa tribo ou numa comunidade em situação social de
risco teria acesso à internet para conectar-se ao mundo virtual, realizar
pesquisas, obter conteúdo, etc. Já a segunda expressão está relacionada com o
processo de utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade de vida de pessoas
com deficiência. Por exemplo, quando um deficiente auditivo utiliza um
aplicativo de celular para traduzir o áudio dos que lhe falam em sinais de
Libras, temos uma tecnologia assistindo a um deficiente.
No entanto, apesar de
estarmos acostumados a associar a palavra tecnologia ao mundo digital, segundo
a Assistiva Tecnologia e Educação, uma equipe especializada em orientação sobre
o tema, “Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar
todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou
ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente
promover Vida Independente e Inclusão”. Sendo assim, um aparelho auditivo que
aumenta a capacidade de audição de um surdo parcial, uma prótese que auxilie
alguém que tenha sido amputado, até mesmo a bengala de um cego são recursos
técnicos que melhoram as habilidades de pessoas com deficiência.
Nosso espectro não se
estende por tão vasta paisagem, interessa mais intensamente as tecnologias
digitais que têm sido desenvolvidas ultimamente e podem ser utilizadas pelo
computador ou dispositivos eletrônicos. Quem não se recorda do cientista mais
famoso da atualidade, o britânico Stephen Hawkin, portador de uma rara doença
degenerativa (esclerose lateral amiotrófica), que foi perdendo os movimentos
totalmente até ficar numa cadeira de rodas comunicando-se através da “voz” de
um computador. Aplicativos e tecnologias como essa estão hoje ao alcance do
celular de muita gente para se beneficiar e ter uma vida menos difícil.
Iniciativas dessa natureza
surgiram de pessoas querendo melhorar a qualidade de vida de entes queridos com
deficiência somando-se a possibilidade retorno financeiro. Da perspectiva
econômica, a tecnologia assistiva tem recebido investimentos de quem quer
empreender e gerar impacto social. O Livox®, por exemplo, é um software para
tablets android que permite que pessoas com deficiência se comuniquem e aprendam.
Esse aplicativo surgiu da necessidade de um pai (Carlos Edmar Pereira) e de uma
mãe (Aline Costa Pereira) de se comunicarem melhor com sua filha (Clara Costa
Pereira) que tem Paralisia Cerebral.
O dinamarquês Hans Wiberg
desenvolveu um aplicativo chamado "Be My Eyes", ou "Seja Meus
Olhos". Como nem todos os produtos ou acessos tem indicação em braile, um
cego pode usar o aplicativo para pedir auxílio sobre a cor de uma roupa, um
trajeto específico, o valor de uma nota monetária, e quem estiver conectado no
aplicativo, emite a resposta com a ajuda necessária. O Hand Talk é outro
exemplo de aplicativos a serviço da inclusão. Fundada em 2012, a Hand Talk
realiza tradução digital e automática para Língua de Sinais, utilizada pela
comunidade surda. E apesar do nome inglês, a empresa foi criada pelos
nordestinos, Ronaldo Tenório, Carlos Wanderlan e Thadeu Luz.
Esses são alguns exemplos
das inúmeras ferramentas criativas que estão sendo desenvolvidas para facilitar
a vida de deficientes de diversas ordens. Imaginemos o emprego dessas
tecnologias na educação infantil. A comunicação é a chave mestra da pedagogia,
se esta comunicação não se dá na sua potencialidade máxima, uma das partes terá
prejuízo grave. No Brasil, apesar da legislação ter avançado enormemente no
processo de inclusão de deficientes, sabe-se que na prática nem todas as salas
de aula possuem assistentes habilitados a assistirem surdos, cegos, downs, ou
altistas, por exemplo.
Assim, aplicativos
assistivos podem facilitar e melhorar muito o processo de aprendizado dessas
crianças e a relação entre elas e suas demais colegas, sendo de grande auxílio
para os professores que podem empregá-las como potentes ferramentas
pedagógicas. O investimento é mínimo se comparado ao ganho de qualidade de vida
e inclusão social dessas crianças que posteriormente podem tornar-se, até
mesmo, multiplicadores de soluções tecnológicas que facilitem sua melhor
expressão e relação com o mundo.

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